“Aquele que vive na companhia do Senhor não se perde.”— C. H. Spurgeon, no livro Dia a dia com Spurgeon.
(via cravos-brancos)
“Aquele que vive na companhia do Senhor não se perde.”— C. H. Spurgeon, no livro Dia a dia com Spurgeon.
(via cravos-brancos)
10 de agosto de 2019, faríamos um ano de namoro e em vez de estar feliz, arrumando a casa e um bilhete pra te receber, estou sentada e com o coração em pedaços, na verdade. Em uma bela quarta feira a noite recebi uma mensagem no celular encerrando tudo que vivemos nesse tempo. Fiquei perplexa, não te reconheci, tentei não colocar caraminholas na cabeça, mas sou racional e sei dos reais motivos, aos quais você tenta lutar contra. Fico pensando nos finais de semana em que me desdobrava para estar com você, com minha família e para cuidar de mim. Como eu fui feliz! Não me sentia cansada, pelo contrário, ficava completa e cheia de energia. Mas também, quantas vezes senti dúvidas e pedi a Deus para me mostrar se realmente você era pra mim, por que eu me estressava com a sua falta de compreensão e com suas pequenas pistas de que nosso amor era diferente. E agora estou aqui, com todo o tempo só pra mim, mas perdida, sem saber o que fazer com dois dias livres no final de semana. Incrível como em uma pequena fração de 365 dias podemos nos apegar tanto a alguém e basear sua rotina na dela. Sabe, a verdade é que eu queria gritar até essa dor sair e só quando todo esse sonho ruim acabasse. Por que eu não consegui notar que o tempo todo eu te amava mais, e você menos? Fico pensando também na nossa rotina, no nosso companheirismo, nas nossas viagens curtas, no nosso cuidado, no fato de que todos os seus aúdios importantes eram antes enviados pra mim. Em como minha paciência te ajudava a se acalmar e como sua experiência e agressividade faziam eu tirar a minha bunda mole do lugar e expressar o meu ponto de vista, deixando de lado o que os outros pensam. Lembro dos nossos finais de semana juntos, que sim, não tinham nada de mais, tinham mesmo mais de minhas expectativas depositadas em cima de você. Pensei que pronto, você seria o amor da minha vida e que eu estava vivendo um conto de fadas real e simples, com alguém fiel e completo do lado. Te agradeço por ter tentado. Sim, talvez agora eu enxergue que você não tenha feito tudo que eu merecia ou não tenha oferecido a reciprocidade do meu cuidado, mas você tentou. E fez muito bem! Cresci muito com você, aprendi muitas coisas, ficaram infinitos bons aprendizados e sentimentos. Não quero imaginar que ficou comigo por dó, por achar que eu tinha sentimentos bons a lhe oferecer. Sim, eu sei do meu valor. Sei que me amou da forma que pode, de todo o seu coração e desejo do fundo do meu que você encontre uma pessoa que ame tanto e que te ame igualmente, porque você é sim uma pessoa fantástica. Me apavora imaginar você com outra pessoa, mas não existe justiça no amor. O amor não é democrático, não é optar e gostar, não é promoção, não é prêmio de bom comportamento. Tem sempre alguém que ama mais, e dessa vez fui eu. Se você foi derrotado, não faz sentido ficar depois assistindo as reprises dos melhores momentos, mas eu gosto da dor de ficar revivendo, choro porque sou humana, sinto raiva e decepção. Foi como se eu tivesse sido empurrada do alto de um abismo. E olhando pra cima, parece alto demais escalar. Tenho sido forte e tocado o barco por respeito à mim e aos que me amam e não querem me ver chorar, respiro dizendo que tudo vai ficar bem logo, e sim, talvez fique mesmo, mas agora tudo que quero é chorar e chorar e chorar. Parece confortável me torturar pensando em tudo que vivemos e no que ainda não vivemos. Logo você, farela, que sempre foi tão inteligente emocionalmente. Eu pedi um sinal a Deus e ele me deu. Detesto me fazer de vítima e choro justamente por isso, por perceber que não tenho absolutamente controle nenhum sobre o amor. Morrerei de saudades de você, do seu cheiro, do seu amaciante, dos nossos jantares, da sua pele que era tão minha, de dormir de conchinha, de rezar antes de dormir, dos seus hábitos saudáveis, de você na minha casa, das suas aulas, da sua garra, da sua turma que eu tanto gosto, dos dois carrinhos no supermercado, da sua mãe, que foi a primeira sogra que apresentei para a minha. Sentirei falta do Osmar e do quanto ele encheu minha bola para tentar te fazer desejar nosso casamento a curto prazo, mas não, você foi muito honesto comigo, disse que nossa hora ia chegar. E que bom. Por que eu não suportaria amar incansavelmente alguém que nunca me amou como eu. Me perdoe por ter tentado encaixar você nos meus padrões de relacionamentos idealizados ou pela minha hiper valia em achar que são os que eu mereço. Me perdoe por ter sido chata e por ter cobrado coisas que hoje enxergo serem tão pequenas. Por ter me preocupado com o que iam dizer. Putz, finalmente entendi que minha preocupação com os outros foi um comportamento ensinado e herdado da minha família, não algo genuinamente meu. Vivi a vida toda sendo obrigada a me preocupar com o que os outros iam achar, sendo assim, não me julgo, tenho paciência e carinho comigo mesma e com o tempo que levei pra me dar conta disso. Hoje, uso nosso rompimento pra soltar esse sentimento que me aprisiona e que não é meu. Isso é dos outros. Enquanto os outros estão se preocupando com minha vida e tirando conclusões precipitadas, eu estou vivendo! E crescendo! Eu vou evoluir, eu vou crescer e sim, óbvio, irei me reerguer. Sinto orgulho por ter dado o meu melhor, por ter de oferecido meu colo, por ter preparado cafés da manhã, pelos bilhetes espalhadas, for limpar o chão do banheiro, por viver pendurada no seu pescoço, por ter torcido por você até ficar rouca e por te impulsionar a alçar novos vôos profissionais. Que bom que cuidamos tão bem um do outro nesse tempo. Por isso o fim me assustou, porque tudo entre nós foi realmente perfeito, e, na minha cabeça, feito pra durar. Um relacionamento saudável, leve e de companheirismo, onde nos amamos da forma mais verdadeira que conseguimos. Serei sempre extremamente grata à você, por tudo que compartilhamos e pelo que evoluímos individualmente nesse ano. Mas a vida é mesmo assim, feita de momentos, momentos que temos que passar e sendo perfeitos ou decadentes, são extremamente necessários. Mas o fundamental é que nada nela é por acaso. Nem sempre a vida segue a nossa vontade, mas ela é perfeita naquilo que tem que ser. E daqui pra frente, a luta é comigo. A felicidade em pequenas coisas e as minhas vivências profissionais vão servir sempre de curativo. Algum dia provavelmente vou dar de cara com você no supermercado ou em algum lugar e vai ser difícil acertar o beijo na bochecha, depois de tanto tempo beijando a sua boca que era tão minha. Mas vai. Tudo vai. A partir de agora é tudo novo, é tudo de novo. Enquanto escrevo, organizo minhas ideias, acalmo meu coração e me despeço de tudo, inclusive de nós dois. A partir de agora, em todo cair de suor e de lágrima, estou ficando cada vez mais leve e expelindo você. Pode ir. Eu aguento e torço muito por você. Sua felicidade continuará sendo a minha, afinal, isso é o verdadeiro amor. E siga tranquilo sem se preocupar comigo, pois tenho sempre o melhor lugar do mundo pra voltar, que é dentro de mim mesma. O mundo passa, mas eu continuo aqui, firme. Sei que estou agora em uma fase de reconstrução e amadurecimento pra me lembrar quem sou e quais são as minhas fortalezas. E isso é o mais lindo de tudo: redescobrir que não preciso de ninguém pra buscar ser inteiramente feliz. Sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Sou grata.
“Eu acredito nas suas verdades sobre mim, Pai. Eu acredito no Seu amor por mim apesar de todos os meus medos assustadores. Eu acredito que o Senhor me chamou desde o ventre da minha mãe, que eu fui criada para Sua glória, que me formastes para um relacionamento com Você. Eu quero estar bem Contigo todos os dias, mesmo quando eu não estiver bem comigo, mesmo quando eu estiver entristecida, eu quero olhar para Você e lembrar de onde vem a minha felicidade, limpar as lágrimas e sorrir, é isso que eu quero. Quero lembrar de Te fazer sorrir ao acordar, agradecer pelo dom da vida e vivê-la com Você. Eu digo SIM pra Você, eu confio que as minhas dores se tornarão testemunhos, eu confio que eu verei as cicatrizes e não sentirei um nó na garganta. Olha, eu mantenho os meus olhos fixos em Seus olhos, porque eu sei que neles moram a minha felicidade (em meio a turbulência), por isso eu sigo sorrindo, recebendo amor, transbordando amor, sendo amiga do Amor.”— Experiências com Deus
(via cravos-brancos)
Quando alguém de fora não entende nosso amor, brinco que você é quem me puxa pelo tornozelo quando o caos da cidade parece querer me engolir. Ou mando buscar aquela foto bacana que fiz de você com cara de quem não tem nada a ver com minha paz. Ou peço pra voltar ao maio que cedi meu suéter marrom e fiquei na maior pompa, segurando no osso o frio desgraçado. Ali, sem querer, predisse: vou cuidar de você.
Gosto disso, parece que finalmente sei fazer como ninguém algo nesta vida. Faço questão de estar de plantão naquele santo lugar, se num dia cheio de ambulâncias , buzinaços, marmita, cordões de isolamento, betoneiras e esporros desenrola um fio de impaciência tua, se a usual alegria recolhe a mão, se a tristeza vira um pedacinho teu.
A chave (que você sempre esquece) na fechadura é tua dor se debruçando em qualquer coisa que não pareça um buraco negro sem fim. Me alegro em pensar que meus braços parecem um tanque de calma que você mergulha quietinha, trêmula, menina. Fica ali, aninhada, lavando as manchas da alma, respirando baixinho minha serena confiança de que tudo fica legal, como se meu peito fosse o último tubo de oxigênio de todos os ambulatórios do planeta.
Sou teu ar, o irmão mais velho que nunca teve, teu anjo, teu sonho, teu fogo, aquele ursinho que caiu no poço quando era uma guriazinha esguia em 1991. Tem dias que cuido das tuas costas, outro cuido da bata rosa que adora usar e não sabe passar a ferro, outro cuido do teu mundo perfeito, do filme que vai passar, do teu banho, do teu bastante caldo de feijão com pouco sal, das tuas havaianas 35, encardida, verde-água, perdida na varanda.
Ao chegar mais ou menos pelas dez e meia da noite, quando terminam as luzes do prédio, quando paira a brisa outonal, quando já compensei todas as merdas do mundo fazendo tudo ou qualquer coisa por você, é a hora que a gente se basta, se encontra sem saber que braço é de quem, pra finalizar o dia com algum aconchego, algum prazer.
Ali renovo outra vez que sempre estarei lá, aqui, do lado da calçada onde passam rasantes os carros, abrindo a lata de atum, medindo gotas de tylenol na colher de sopa. Mas sem palavras, só com os lábios mornos procurando tua nuca no escuro dizendo que vou cuidar de você. Aí, minutos antes de você tapar os olhos de mel e recolher o último sorriso, pergunto o que seria do nosso amor se a gente não fosse tão diferente dos que não regam a rotina de poesia e chá de maçã.
As horas passam e parece até que o sol da manhã sabe que acordei do seu lado, antes de você, sem saber que braço era o meu, que fiquei um tempinho te olhando dormir de boca aberta feito nenê, antes de recomeçar todo sacrilégio com um “vem amor, tá na hora de acordar”. É morena, quem ama, cuida. Será tão difícil os outros entenderem?
Gabito Nunes